[sábado, 5 de janeiro de 2008]
Eu estava sozinha em casa, a meia luz após aquela discussão, boba e ao mesmo tempo feia, no restaurante. Você ainda não havia me ligado. Eu esperava ansiosa, e como esperava. Na minha cama você já fazia falta. Em um pequeno momento, pensei em lhe ligar, mas logo em voz alta digo “não”. Alguém tocava a campainha. Fui logo atender, mas era ela, que havia esquecido a chave novamente. Já comecei a vomitar mil e um xingamentos em cima dela, ela com a cara séria disse “brigou de novo não é?”; respondo logo em seguida, “vou subir para o meu quarto, e morrer, não me irrita. E ah, não esqueça mais a porra da chave”. Mesmo já imaginando que seria ela sem a chave novamente, eu ainda tinha uma esperança de que fosse você vindo se desculpar. Depois de muito Cazuza, uma garrafa de vinho e um pote de Nutella, vou para a sacada. Porém antes consigo ouvir o molho de chaves fazendo barulho, ela novamente ia sair, grito “não esqueça a chave”. Quando chego a beira da sacada, começo a ouvir passos na minha escada, me assusto. Ela já havia acabado de sair, não devia estar voltando, quando me deparo, com você na porta. Vem você, com um sorriso na cara e vindo em minha direção. Logo um sorriso aparece em mim, mas logo lembro do que você havia feito no restaurante, e fecho a cara e digo “você é mesmo um cretino”. Em silêncio e perdendo vagarosamente o sorriso, vem em passos cautelosos chegando mais próximo. Me abraça forte, me beija. Eu surpresa, pergunto o que houve. Você respira profundamente, e diz “eu te amo, e sem você não dá”. Eu, ainda sem saber o que aconteceu digo que também lhe amo. Logo com um tom pervertido, me lembra que estamos sozinhos, e que há coisas melhores a fazer para nos reconciliarmos que conversar.
Por Gabriela às [11:57]