[terça-feira, 6 de maio de 2008]
Barbie, Simpsons, dominação cultural e o radicalismo
As explicações para a globalização podem ter diversos focos. Vejamos alguns deles: resultado da evolução do internacionalismo, cria moderna do mercantilismo, fruto da expansão das grandes corporações, estágio do capitalismo na pós-modernidade. E por aí vai.
Independente da carga ideológica e do “tom” das definições, não se pode negar que a globalização é uma realidade irreversível. O mundo superou as barreiras do isolamento geográfico e as pessoas, idéias e produtos se movimentam em volta do planeta a “mil por hora”.
Boa ou má, dependendo da situação de cada nação, a globalização vem acompanhada de um conteúdo cultural. Nos produtos brasileiros estão, subliminarmente, embutidos valores como samba, carnaval, praia, futebol e até novela das oito. Violência e corrupção também.
O problema é que os países ricos sempre vencem a batalha. Impõem seus produtos aos pobres e, com eles, seus valores culturais. A isso, muitos chamam de dominação cultural.
Há povos que resistem ao domínio do exterior, ou pelo menos tentam resistir. Outros sucumbem facilmente. A luta contra a imposição de uma cultura estrangeira é tão antiga quanto a humanidade.
Nos dias atuais, o radicalismo tem servido de arma para combater a dominação cultural. Na Venezuela, o governo de Hugo Chávez decidiu proibir a exibição do seriado Simpsons nas tevês no horário das 11 h da manhã. Justificativa? O desenho Simpsons transmite mensagens que vão contra a educação de meninos, meninas e adolescentes.
No Irã, o governo de Mahmoud Ahmadinejad travou uma luta contra a invasão de Barbies, Homem-Aranha e Harry Potter. Por que? Porque, segundo as autoridades iranianas, representam a “ocidentoxicação”, o apelo ao consumismo desenfreado e o “grande Satã”, no caso, os EUA.
Mas a resistência aos estrangeirismos não se restringe aos produtos da indústria cultural. Na China, no mês passado, protestos contra a rede de supermercados Carrefour pipocaram em todo o país. O motivo? O Carrefour deu sinais de apoio à independência do Tibete, o que, para muitos chineses, é uma ingerência externa.
Aqui bem perto de nós, em 2003, um grupo de manifestantes invadiu a fábrica da Coca-Cola, em Porto Alegre, para protestar contra a invasão do Iraque pelos Estados Unidos. A Coca-Cola, um dos maiores símbolos do imperialismo norte-americano, tem sido o alvo predileto de ativistas em todo o mundo.
Não sou defensor do veto a desenhos animados na tevê nem da proibição da venda de bonecas Barbies. Mas a dominação cultural existe. Por que não conseguimos levar até eles Mônica, Saci, Sítio do Pica-Pau Amarelo e outros? Em contrapartida, nossas casas estão cheias de Mikey, Pato Donald, McDonalds e Barbies. Nossa cultura morre a cada dia para dar lugar à “cultura deles”.
(Texto escrito por Célio Martins, no Certas Palavras - Gazeta do Povo)
Por Gabriela às [08:36]